O que acontece quando a cooperação internacional deixa de responder às realidades dos territórios e reproduz as mesmas desigualdades que busca transformar?

Em um contexto de crise global, cortes orçamentários e crescente concentração de poder na tomada de decisões, o modelo tradicional de cooperação mostra seus limites. As lógicas assistencialistas, verticais e muitas vezes desancoradas dos territórios continuam determinando como se definem prioridades, se distribuem recursos e se constroem soluções.

Diante desse cenário, o Foro Permanente para a Descolonização da Cooperação impulsiona a construção coletiva de um novo paradigma de cooperação solidária, baseado na justiça, na autonomia, no cuidado e na redistribuição do poder.

A Vozes acompanha esse processo por meio do desenho metodológico, da facilitação e da sistematização de um processo participativo e global. Por meio de consultas em distintas regiões, entrevistas com atores-chave e espaços de cocriação, busca-se produzir uma nova conceituação e também fortalecer alianças, recolher saberes diversos e construir legitimidade coletiva.

O resultado é um marco conceitual e político que contribui para disputar sentidos e transformar as práticas da cooperação internacional, apostando em formas mais horizontais, solidárias e enraizadas nos territórios.